30 de novembro de 2011

HORA LITERÁRIA: UMA E OUTRA

Livro/Conto: "Uma e Outra"
Autora: Mulher Vã

"Eram amigas desde o tempo da escola quando faziam tudo juntas. Moravam na mesma rua, pegavam o mesmo ônibus para a aula, disputavam a mesma calçada na corrida de bicicletas, e quando aprontavam alguma, combinavam as mesmas mentiras para escapar das broncas.


Uma mais egoísta outra mais generosa. Uma engraçada, bonita, a outra nem bonita nem feia, charmosa. Eram as parceiras perfeitas.


Se no fim de festa, uma fosse embora de carona com algum garoto, a outra esperava na porta de casa e só ia dormir depois de vê-la entrar, sã e salva.


Se uma cortasse o cabelo, corria na outra perguntar chorosa o veredicto [bonito ou feio?] Se uma tivesse o coração partido, a outra emprestava ombros e ouvidos.


Viviam assim, essa troca. Mas como se sabe, sentimentos costumam ser complexos.


Um belo dia, uma delas conheceu um rapaz especial, meigo, equilibrado e o pior, superlegal. Diferente das outras vezes, o namoro engatou. Apresentou-o à família e claro, à melhor amiga. No dia do seu aniversario, depois da festa, despediu-se do namorado e quando ia entrar em casa, deu de cara com a velha amiga roendo unhas, sentada na calçada. Já era madrugada. Colocou a mão na cintura, fingindo pose séria: “O que ta fazendo aí sozinha, menina?”


Pronto, aquela foi a deixa para uma cena memorável. De repente viu a amiga surtar. Se rasgar de ciúme, brigar, chorar, fugir do abraço e confessar que aquele sentimento não era novo. Sem parar pra pensar , apertou-a contra o peito e riu o riso dos aliviados.


Se beijaram até a noite virar dia.


Depois disso foram felizes, felizes e infelizes. Como todo casal, experimentaram os sabores e dissabores dos altos e baixos. Aconteceu que num desses baixos, houve o fim trágico. ‘Lamentavel’ – amigos comentavam – ‘aquelas duas não se amavam mais por falta de espaço...’


É, qualquer um [com olhar mais apurado] podia ver que desde sempre foram apaixonadas. Pelo jeito de ser, pela espontaneidade, pela liberdade da convivência perfumada, pelo frescor dos encontros sem cobranças, pelo ciúme velado, pela admiração sem tamanho, pela diversão, pela verdade, pela ausência de rótulos ou senão pelo colorido da amizade.


E o querer ficar junto era sempre tão forte que até doía.


Agora acabou.


Talvez as pessoas que dizem que o amor não pode ser domesticado, tenham razão...
De vez em quando uma telefona, quer saber como vai a vida, puxa papo...


A outra desliga depressa.
Procura evita-la.


Prefere as fotos antigas que remontam aquela vizinha linda engraçada e que de tão cheia de vida não coube em seus braços..."


Agradecemos Mulher Vã por mostrar seu trabalho aqui e dividir conosco seus pensamentos. Para ler outros trabalhos de Mulher Vã confira seu blog pessoal "Colorindo os Modos".

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Conto escrito por Mulher Vã.
A divulgação dessa obra neste blog foi autorizada pela autora.

1 comentários:

Larissa Bello disse...

Bela história com um fim de como a vida é. E só porque teve um fim não quer dizer que acabou e sim que a vida segue sempre. Parabéns Vã! E pode continuar nos presenteando com seus textos.

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